Thursday, December 20, 2007

Como vai o mundo?

Paulo Portas é o político mais "fake", "phony" e ambicioso qua anda por aí. Para dar nas vistas recorre repetidamente, na sua insignificância, a subterfúgios risíveis (mas ele quer-se sisudo e grave, não se ri). Cada vez que ele exige a presença de um ministro no Parlamento para explicar isto ou aquilo, a gente sente a necessidade que tem o personagem, na sua vacuidade, de acreditar que interfere com a História, de se dar por importante, de intimidar. Mas quem é que o leva a sério? A minha mãe, que sabe distinguir o verdadeiro do falso, o bem do mal, quando o vê na televisão fica irritada e desata a proferir imprecações. Eu acho a sua reação muito saudável.

Os japoneses acreditam em ovnis e acham que o exército deve estar preparadao para agir se eles invadirem, um antigo e fanático ministro PSD acredita em Deus e em Durão Barroso, o Presidente da República acredita que faz parte da sua missão ir informando o povo de que está muito preocupado com isto e com aquilo - e com mais isto e com mais aquilo. Cada um acredita no que quer.

Antonin Artaud pensava que "toute l'écriture est de la cochonnerie". E que "les gens qui sortent du vague pour essayer de préciser quoi que ce soit de ce qui se passe dans leur pensée, sont des cochons." Pare ele, que nem sequer viveu em Portugal, "toute la gent littéraire est cochonne, et spécialement celle de ces temps-ci." Que essa gente das letras, com as suas manias e fantasias sem interesse, a rebentar pelas costuras de tiques de estilo, seja pouco recomendável, eu entendo. Mas porquê "des cochons" em particular, ó Antonin? Eu sei, Lacan também disse que "publier c'est poubelliser". Dão-me ambos razão, afinal, quando eu afirmo que só o silêncio é verdadeiro, incontestável, rigoroso, honesto, admirável. E depois de saber que tenho razão, recomeço a escrever, escrevo sem parar. É que gosto do Eça, do Camilo, do Tchekov, do Tolstoi, do Machado de Assis.

A prova de que a literatura portuguesa está a desaparecer encontra-se nas livrarias portuguesas. Estive lá e não me apeteceu comprar nada do que estava em cima das mesas, proposto aparentemente como "o que é bom". Give me a break. Entretanto tive nas mãos uma elaborada tese de mestrado, com muitas citações de alguns autores reputados e de alguns autores perfeitamente tontos, sobre um soi-disant poeta português contemporâneo, fraquito, sem grande interesse, que ninguém a não ser a menina que escreveu a tese deve saber quem é. A indústria da alma e das visões do mundo tornou-se, mesmo nas universidades, uma coisa tão "pop"! Escrever para quê? Não adianta, os chamados serão muitos, os escolhidos muito poucos. Eles não entendem.