Saturday, December 1, 2007

Não haverá Verão

Querido Gonçalo,

Recebi os teus postais, pareces triste, pelo menos num deles. A tua letra é um bocadinho difícil de ler, mas acho que consegui.

Passas o Natal sozinho? Não bebas demasiado, mas ficar alegre não faz mal nenhum, é uma sensação muito boa.

Não, tu não és o terceiro em coisa nenhuma, em muitas és o primeiro, mas isso tu sabes. E eu não te quero atormentar. Estive zangada contigo porque às vezes não entendo o teu sentido de humor, brincas com coisas sérias e eu fico perdida, não sei o que pensar. Agora, depois da nossa conversa telefónica, já entendo tudo e estou mais calma, sei com o que conto, o que para mim é essencial.

Lembras-te que há uma semanas atrás me chamaste sopeira? Sim senhor, olha que lindo elogio. Nem quero acreditar. Mas então não nos conhecíamos como agora e tu estavas desconfiado, pensavas que eu não era eu. Por isso perdoei-te.

Chove torrencialmente lá fora, este ano parece que não vai haver Verão.

Quem sabe se um dia não me convidam para dar uma conferência aí, no Departamento de Física, ficava a conhecer o sítio onde tu vives.

Não te esqueças de mim. Meu amor, I love you.

Antónia

(Caderno verde)