Friday, January 4, 2008

Nikon D300

(Zoom Nikor 18-200)

Uma casa arruma-se lentamente. Tem de estudar-se o espaço e entender onde é que convém ir dispondo os móveis. Durante alguns dias as caixas com os livros, computador, impressora, papéis, etc., amontoaram-se desordenadamente no quarto destinado a ser escritório. A confusão desagradava-me porque eu sabia que tinha de fazer um esforço para vencer a inércia. Pouco a pouco, por etapas, fui arrumando. Comecei pela cozinha e pela roupa. Entretanto distraí-me a andar por aí, fui à cidade. Quando entrei na loja de material fotográfico pressenti que não ia resistir à última tentação que me andava a fermentar no espirito. Não resisti. Depois arrependi-me, senti-me culpado de não sei que exagero (podia ter comprado a D200 usada que estava por um preço óptimo, mas pronto, não resisti). Depois deixei de pensar nisso, a fotografia, por razões misteriosas que não me interessa aprofundar, é-me tão necessária como escrever. Com a máquina fotográfica na mão descubro aspectos da realidade que de outro modo não teria visto. Olho mais, vejo melhor. E quando não tenho a máquina fotográfica é como se me apetecesse fumar e não tivesse cigarros, falta-me qualquer coisa. Quando tiver a casa arrumada meto-me no carro e vou pôr à prova a Nikon.

Tenho andado a ver um filme aos bocados, uma hora hoje, outra amanhã. Nada de extraodinário: Frankie and Johnny. O Al Pacino não me parece que seja o tipo de homem por quem uma mulher como a Michelle Pfeiffer se interessaria. Mas a obsessão divertida e brincalhona dele com ela acaba por ter um pouco de piada - e como ela é uma rapariga simples que trabalha num restaurante a relação acaba por ter algum sentido. Há duas horas que eles estão deitados na cama ao lado um do outro no ecran da televisão porque eu parei o filme para ir beber um copo de água e reflectir um pouco sobre o amor. A Nikon está aqui ao meu lado.

(Caderno Azul)