Thursday, May 1, 2008

Confuso

Que não gostem de mim, que alguém que me dizia que me amava me tenho dito um dia que já não gostava de mim, eu posso entender, eu próprio não tenho grande opinião acerca da minha cara actual. O que me surpreende é que raparigas iguais àquelas de quem eu sempre gostei me prestem ainda atenção, às vezes uma atenção muito particular, evidenciada nos olhos com que me olham em silêncio, nas palavras que me dirigem, nas atitudes que tomam para comigo. Embora eu não tenha sabido, por pudor ou por falta de fé, frequentemente, tirar partido do amor que parecem ter-me ou prometer-me, é agradável pressentir que o amor ainda não está totalmente fora do meu alcance.

P. S.

Seguindo o exemplo da Laura, pus de lado todos os anti-depressivos (ia a escrever "preservativos", que confusão no meu espírito). Descobri, com surpresa, que afinal não andava deprimido. Sinto-me muito melhor na vida agora. Lamento os erros que cometi enquanto andei calmamente domesticado, conformado e tranquilo, a usufruir, privando-me de muita coisa, da minha paz artificial. Não se pode voltar atrás para recuperar, portanto não vale a pena perder mais tempo a pensar nisso. Se lidaram comigo nos ultimos anos, tenham em conta que provavelmente je étáit (étais?) un autre.


(Caderno Verde)

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