Friday, June 27, 2008

O tempo: digressão

Passou o tempo.
Passa o tempo.
O tempo é
um comboio que
nós vemos passar e
à janela, a afastar-se,
vão as pessoas que nós
conhecemos e amámos,
que esquecemos ou nunca
vimos. Ainda acenam com
a mão, ainda sorriem?
filme impreciso, as imagens
não são claras. Talvez
a melancolia se tenha
entranhado nas almas daqueles
que uma vez, no tempo
irrecuperável, nos falaram
e nos ouviram, nos
beijaram e abraçaram, nos
amaram ou nos odiaram,
nos ignoraram ou tentaram
destruir-nos sem o conseguir,
coitados. O comboio
afasta-se, é uma silhueta
vaga em movimento
incerto, aonde irá? Os
meus olhos tentam reter
os rostos que se vão embora
e nunca mais hão-de voltar.
Mas não é fácil fixar o que
vai desaparecendo. Provavelmente
o tempo não existe, é uma aguarela
pintada pelas mãos inocentes
de uma rapariga. Talvez
o tempo seja um dos nomes
que nós damos ao que não
tem nome. O tempo
nunca pára de passar?
O tempo nunca sai
do mesmo sítio?
Somos nós que
passamos por ele,
o tempo somos nós
que vamos na vida de
viagem em viagem?
Pelo menos nas histórias
que nós contamos
é assim que as coisas
se passam. Tão
estranhamente, é verdade.

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