Saturday, August 23, 2008

Museus

Eu não vou aos museus para ver obras de arte. Sento-me cá fora, à entrada ou no pátio interior, a observar as pessoas que vêm, imbuídas de fervor religioso, ver as obras de arte. Vejo-as tirarem-se fotografias umas às outras, vejo-as caminhar descuidadamente para a entrada das salas do museu. São obras de arte vivas, enigmáticas na sua aparente normalidade e na sua talvez genuína banalidade. Os gestos que elas repetem, apesar de semelhantes ou idênticos, devem ter a marca das suas ocultas personalidades, dos seus obscuros desígnios. Quando regresso a casa levo o espírito cheio de imagens, de perplexidades, de movimentos, de enigmas a decifrar.

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