Sunday, September 14, 2008

Invenções

Falar do que não existe é uma bela invenção. Atribuir sentimentos a personagens fictícias é outra bela invenção. Invenções banais nos tempos que correm, temos de reconhecer. Depende sempre do ouvinte ou do leitor: só o que é lido ou ouvido acede à existência. Si le lecteur se sent concerné, alors la fiction ça marche. Construções mentais, tudo. À volta de uma pedra, de um rosto, de uma estátua, de uma sombra, de um fantasma, de um pesadelo, tecemos fios finos da intriga, cruzamo-los. Trabalho modesto de sobrevivência da aranha ou da abelha? A Betty, por exemplo, fui eu que a inventei para me fazer companhia quando me aborreço. Conheço-a e ao que ela sente e sofre como aos dedos das minhas mãos.

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