Wednesday, November 12, 2008

Realismo

Ela queria tirar partido da sua beleza para me seduzir, me subjugar, explorar os meus sentimentos e a minha devoção. Os olhos, as pernas, o cabelo, os lábios, os seios e o resto, incluindo a roupa e as maneiras, eram os argumentos da sua força. Porque outros homens a admiravam, a desejavam, a queriam, ela sentia-se no direito de me impor uma escravidão sem limites. Protestei: eu não posso submeter-me ao amor de uma mulher só porque ela tem outros pretendentes, desengana-te. Ela olhou para mim sem pena, ofendida, e desapareceu, nunca mais me telefonou.


(Caderno Azul)

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