Saturday, August 22, 2009

Privilégios

Não nos vimos nem falámos durante muitos anos. Depois ela encontrou-me no Facebook. Não se tinha esquecido de mim, embora tivesse razões para isso. E eu também me lembrava dela, tinha razões para isso. Falámos de novo. Vem visitar-me, disse eu. Vem tu visitar-me primeiro, disse ela. Talvez, disse eu, mas o teu pai era capaz de me bater. Que parvo, disse ela, e por que razão é que o meu pai te ia bater? Se soubesse que eu dormia contigo, era capaz de me tratar mal, disse eu. E quem é que te disse que vais dormir comigo, perguntou ela. Ri-me, a pensar nos pais que esperam que as filhas só durmam com um homem quando estão casadas. Ela calou-se, não dizia mais nada. Se não falas vou-me deitar, disse eu, aqui é tarde. E saí do chat. Ela voltou: ficaste zangado comigo por causa do que eu disse? Eu: nunca me zango contigo, só me calo quando tu não falas. Mais tarde fui dormir. Que ela receasse que eu estivesse zangado com ela pareceu-me um privilégio.

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