Friday, August 21, 2009

Tanta gente na nossa história

Abri La Logique du Récit para confirmar as minhas suspeitas: as relações humanas nunca são puramente bilaterais, nós é que vivemos nessa ilusão. Percorra-se o índice do livro de Claude Bremont e está lá tudo explicado: nas nossas acções e relações interferem uma série de pessoas. Há os "agents volontaires" e os "agents involontaires" da acção (nós próprios entramos aí, se estamos a agir) e há os "influenceurs" (os outros, que se dividem em "informateurs", "dissimulateurs". "séducteurs", "intimidateurs", "obligateurs", "conseilleurs", "déconseilleurs", "donneurs de permission", "améliorateurs, "dégradateurs", etc.). As pessoas que se metem entre nós e os outros, entre nós e os nossos objectivos, interferindo activamente na nossa existência, vêm evidentemente carregadas de manias, de fantasmas, de interesses, tudo bem seu, tão seu como o corpo com que se passeiam na cidade. Não admira que para um cérebro lúcido as relações entre as pessoas se assemelhem espantosamente às relações entre os países: é tudo política e a política é a arte de querer levar a água ao moinho próprio.

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