Wednesday, November 7, 2012

Confissão


A poesia é a arte do desejo
ou do remorso. Aquele que
não pode dizer que ama,
no segredo do poema
confessa o seu amor.  Aquele
que não quer confessar que
sofre por causa do amor
que já morreu, no poema
tenta perceber a sua dor.

E não posso dizer o teu
nome. Nem que me fez
estremecer o teu olhar
quando se cruzou com o
meu. Não tenho palavras
dignas dessa confissão.
Queria que na memória
ficasse guardada a
imagem do teu rosto,
do teu corpo, quando
tu me observavas e depois
baixavas os olhos e o rosto.

O amor. Mas eu não posso
falar. E tu não podes
ouvir. A paixão será
secreta. Como a dor. Como
a felicidade de estar ao pé de
ti. Sem que ninguém saiba,
ninguém veja. Escrevo o poema
para não me esquecer de ti nem
do teu olhar esta tarde quando
tu saías da sala e viraste
a cabeça na minha direcção.
Tu sabias. Tu sabes. Mas
não é possível. Não se explica
o amor. Mas sem esperança
eu hei-de estar ao pé de
ti atento. E talvez tu
percebas, apesar do pudor,
da proibição. 

(11/4/2012)

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